A Inovação e o Conhecimento Estão de Casa Nova

Aos amigos leitores que frequentam este blog, informamos que, a partir desta data, os textos, vídeos e todos os outros materiais aqui apresentados ou referenciados passarão a ser publicados em um novo endereço: (www.observatoriodoconhecimento.sp.gov.br).

O novo site, que continuará a integrar a rede paulista de inovação, irá incorporar, além deste, diversos outros blogs anteriormente apresentados de forma isolada: TV Inovatório; Blog do iGovsp; Governo 21;  Blog do iGovsp no Scoop.it  e Observatório do Conhecimento no Scoop.it. Concentrando estas iniciativas em um único local, pretendemos facilitar a navegação e o acesso de nossos usuários aos vários temas por nós abordados, além de dar um tratamento visual mais acurado às matérias apresentadas.

Ainda que não mais sejam atualizados, estes blogs continuarão no ar, permitindo que o leitor continue tendo acesso ao amplo material produzido ao longo dos anos.

Ficaremos muito felizes e honrados em recebê-los em nossa nova casa.

Quem Fica Olhando Muito Para Trás, Tem Um Grande Passado Pela Frente

Fonte da Ilustração: Openbuildings.com


A frase que dá título a este post, proferida pelo grande filósofo e professor Mario Sergio Cortella, deve servir de alerta a muitos de nossos prefeitos. 

A maioria deles ainda enxerga a atração de indústrias como o único caminho para o desenvolvimento de uma cidade. Esta visão, formada nos tempos em que fábrica era sinônimo de riqueza, tem feito com que novas oportunidades de crescimento, vinculadas a uma economia cada vez mais pujante, centrada no conhecimento, o mais valioso insumo dos nossos dias, não sejam devidamente estudadas, exploradas e aproveitadas.

O que os senhores prefeitos precisam descobrir, desde já, é que nos dias atuais há uma nova "estrada", ainda mal sinalizada, para cidades que almejam um papel de destaque na emergente sociedade do conhecimento. De antemão, asseguro que para chegar a ela não basta usar a velha e onerosa prática de atrair empresas. O sucesso para galgar essa nova "estrada" depende da atração de talentos, pessoas, gente que possa, com o seu capital intelectual, gerar novos modelos de negócio, produtos e serviços que conduzam o município a um ciclo sustentável de prosperidade.

Embora essa percepção seja ainda bastante tênue, a cada ano que passa cresce o número de cidades que procuram agências de desenvolvimento, órgãos de fomento ou instâncias semelhantes, para ajudá-las, quer na identificação de suas potencialidades, como na transformação dessas vantagens em um ambiente de negócios inovador que sirva de imã para as novas gerações,  as quais, além de possuírem mais familiaridade com as modernas tecnologias, trazem, dentro delas, sonhos, padrões de consumo, exigências socioambientais e visão de mundo bastante diversa das gerações que lhes antecederam.

O Dilema da Nova Geração na Antiga Corporação

Fonte: 99jobs.com
Um dos grandes desafios das organizações contemporâneas, sejam elas privadas ou governamentais, gira em torno de como conciliar a maneira de trabalhar, moldada em cima de hierarquias rígidas, profusão de departamentos, restrição à criatividade, só para citar alguns dos traços que ajudaram a construir a era industrial, com os anseios de jovens que vivem em uma sociedade caótica, globalizada, na qual as novas tecnologias são utilizadas de forma tão intensa e natural em seus processos de aprendizagem, relacionamento e lazer, que dificultam a percepção, por parte deles, que já houve, não faz muito, um mundo sem Internet.
Por conta dessas características, o local de emprego é o campo de batalha onde esses conflitos vêm a tona de forma mais marcante. Observem que a mesma angústia do antigo profissional, averso à inovação, tem, ao se deparar com um tablet ou smartphone,  é encontrada entre os nativos digitais ao observar carimbos e caixinhas de entrada e saída de documentos em papel.
Esse embate não vai ser fácil e o resultado ainda é nebuloso. Um aspecto, no entanto, ficou evidente pelo relato dos especialistas com os quais tenho conversado. Nessa luta, as organizações vão ter que mudar mais do que os jovens ingressantes. O motivo é surpreendentemente simples. Esse novo funcionário é também o novo fornecedor, o novo consumidor (para a empresa privada) e o novo cidadão (para os governos de uma forma geral). Eles estão atacando de todos os lados.
No caso particular dos governos, esta questão merece um exame ainda mais aprofundado, na medida em a idade média dos funcionários públicos, de uma forma geral, não obstante a realização de muitos concursos, em anos recentes, encontra-se bem acima da média da população nacional, o que sugere uma crescente incorporação de jovens ao longo dos próximos períodos.

O fato é que, todas as organizações para se manterem competitivas, no caso das empresas privadas, ou representativas, no casos dos governos, deverão examinar e entender os sonhos e valores dos que estão chegando para que, ao iniciar o trabalho, a energia e o idealismo dessa garotada não comecem a derreter.
Neste sentido, o grande sucesso da  empresa paulista 99jobs, que tem como seu principal produto um site cujo objetivo é conectar organizações e pessoas que procuram colocação em torno de um conjunto de valores comuns que confiram a esse casamento uma maior probabilidade de sucesso, já mostra o despertar de algumas organizações para este dilema que tende a se ampliar nos próximos anos.

Concluo esta postagem com um quadro que consolida as principais características destes jovens, com base na experiência de alguns renomados recrutadores.


atualização de documento publicado em 2009

Última Saída: Criatividade



Tudo muda de forma avassaladora nos dias de hoje. É como se todos estivéssemos em cima de uma esteira ultrarrápida e, o que é pior, com a velocidade aumentando a cada momento.

Mais ainda, você não sabe o destino da esteira e nem o momento exato de pular fora.

Neste cenário, que só tende a se tornar mais crítico ao longo dos próximos anos, diminui o espaço das respostas prontas, dos manuais, dos procedimentos inquestionáveis. Em outras palavras, a nossa zona de conforto está cada vez mais estreita e nada, até o momento, sugere que esse quadro vá se estabilizar.

Qual a saída? 

Não Deixe Sua Informação Virar Traça


Um dos paradigmas gerenciais, que felizmente está indo por água abaixo na sociedade do conhecimento, é o famoso “informação é poder, e por isso eu não a divido com ninguém”.

Nunca acreditei muito nessa lorota, mas agora o fracasso dessa postura está ficando mais evidente.

Minhas impressões sobre cinco dos porquês, que podem explicar essa virada:

A Criatividade é o Gênio Dentro da Garrafa



Fonte da Ilustração: http://www.rockettstgeorge.co.uk/

Quanto mais complexo e imprevisível torna-se o mundo, mais as soluções prontas perdem efetividade.

Por isso, as organizações contemporâneas dão, a cada dia que passa, mais importância ao recrutamento de pessoas talentosas que enxerguem soluções para problemas considerados insolúveis, quando filtrados por modelos mentais construídos em momentos de águas menos revoltas.

Nessa caça ao tesouro, vem a tona  a velha questão: criatividade é um dom ou se aprende? Quem nos lê sabe que advogamos a ideia da aprendizagem. As escolas abriram mão de formar pessoas criativas por que o mercado pedia perfis mais comportados. Hoje, esse cenário mudou abruptamente e as escolas começam a se reconstruir. Mas isto leva tempo, muito tempo. Por isso mesmo, as próprias organizações podem e precisam ser “escolas” de criatividade.

A esse respeito, acabei de ler, no Linkedin, um texto de Bob Gilbert, presidente da "Captivation Marketing", que reitera a ideia de que a criatividade é um atributo que todos temos, mas que, nem sempre, ou, mais corretamente, quase nunca desenvolvemos.

A partir de sua larga e exitosa experiência de trabalhar com pessoas talentosas, Bob aponta, nessa postagem, sete dicas para destravar a criatividade nos planos pessoal e organizacional.

Aponto abaixo a minha pessoal e resumida leitura dos pontos muito oportunamente identificados por Bob.

Inovação em Governo: A Fila Começa a Andar


Em 1999, Peter Drucker afirmou que o grande desafio da gestão no século XXI seria aumentar a produtividade do trabalhador do conhecimento na mesma proporção que ela propiciou ao trabalhador da indústria.  Ressalvou, no entanto, que, dadas as características bem distintas de cada uma das economias, os métodos a serem adotados pelas organizações serão obrigatoriamente diferentes.

Passados 15 anos dessa menção, diversos pensadores, de diferentes escolas de pensamento, em distintos locais do planeta, ainda estão concebendo, testando e aprimorando os, tais métodos vislumbrados por Drucker. Em momentos como este, a inércia do passado ainda se impõe sobre a dinâmica do futuro.

Com o passar do tempo, essa inércia irá diminuir e as organizações privadas e os governos terão obrigatoriamente que redesenhar seus processos de trabalho à luz dessa nova sociedade centrada no conhecimento. As organizações privadas que não o fizerem serão engolidas pela concorrência criativa e os governos perderão poder de articulação e coordenação.

É exatamente sobre a capacidade de comando do setor público na era do conhecimento que gostaríamos de falar um pouco mais na sequência dessa postagem.


Big Data: Como Evitar Um Big Fracasso

Há mais de 40 anos, em um trabalho acadêmico, tive a oportunidade de entrevistar um empresário aqui de São Paulo. Durante a conversa, fui por ele apresentado a uma pasta contendo uma série de recortes de notícias colhidos nos mais importantes jornais e revistas da época, aos quais se somavam alguns manuscritos por ele mesmo redigidos com base no que captava nos programas de rádio e TV. Tudo classificado de A a Z.

Este é o meu mais importante banco de dados, me disse com indisfarçável orgulho.

E as informações que vem dos computadores? O senhor não as utiliza? Perguntei algo surpreso.

Facebook Compra Conhecimento e Paga R$ 45 Bilhões

Fonte da Ilustração:  The Land
A compra do WhatsApp pelo Facebook por US$ 19 bilhões, equivalente a algo como  R$ 45 bilhões, é mais um eloquente indicador do valor dos bens intangíveis em uma nova economia centrada no conhecimento. 

Uma empresa com pouco mais de 50 funcionários chega a este montante a partir de uma ideia de duas pessoas, Brian Acton e Jan Koum, posta em prática em 2009, e que se transformou rapidamente uma plataforma de comunicação instantânea para cerca de 1 bilhão de pessoas, este sim seu verdadeiro capital.

Para visualizarmos o que significa R$ 45 bilhões, basta dizer que esta cifra supera a somatória dos PIBs de Roraima, Acre, Amapá  e Tocantins, no ano de 2011. O Facebook, por sua vez, tem hoje uma valor de mercado de aproximadamente R$ 412 bilhões, mais do que o PIB de Minas Gerais, o terceiro maior do Brasil, também em 2011.

Será que nós, como nação, já nos demos conta que a geração de riqueza passa cada vez menos por bens materiais que circulam por portos e aeroportos e mais pelas fibras óticas de redes mundiais integradas? Será que percebemos que a educação é o passaporte para ingressar nessa nova economia? Será?

Tributo a Jorge Wilheim

fonte da ilustração: www.jorgewilheim.com.br

Ao longo de minha carreira profissional, tenho tido a felicidade de trabalhar com algumas pessoas muito especiais cuja convivência representa, ou representou, uma inesquecível oportunidade de aprendizagem.

Uma dessas figuras foi Jorge Wilheim, arquiteto e urbanista, falecido sexta-feira dia 14 de fevereiro, com o qual tive a honra de trabalhar diretamente por cerca de quatro anos, na EMPLASA, no início da última década do século passado.

Procurei, nesse período, como habitualmente faço com as pessoas que entendo serem referências importantes, absorver todo o conhecimento tácito que uma oportunidade dessas proporciona.

Durante nossa convivência profissional, observei no comportamento dele algumas características que marcaram bastante minha vida profissional e pessoal. Algumas delas, gostaria de compartilhar nesta postagem.

Como Preparar Boas Apresentações - Últimas Tendências




A equipe do SlideShare acaba de publicar, em seu site, um ótimo trabalho, “#Zeitgeist2013”, na qual, como sugere o nome, aborda as últimas tendências em relação a elaboração de apresentações.

Usando a sua extensa base de trabalhos como fonte, esta apresentação apresenta uma série de informações extremamente  relevantes para aqueles que, como eu, usam muito este tipo de recurso.

Abordarei aqui algumas das cifras apontadas pelo estudo, convidando os leitores interessados a examinarem com atenção todo o trabalho.

Habilidades e Atitudes do Novo Gerente


Os gerentes que, ao longo dos próximos anos, ambicionarem progressos consistentes em suas carreiras deverão dedicar particular atenção à readequação de suas competências e habilidades, recalibrando-as no sentido da chefia tradicional para a liderança de equipes, do “mandar” para o “convencer”, do “eu ganhei, nós empatamos e vocês perderam” para o “tamo juntos”, só para exemplificar.

Esta, seguramente, não será - ou não tem sido, para aqueles que já iniciaram essa caminhada - uma mudança fácil, pois envolve, além de crescentes esforços de atualização no âmbito estritamente técnico, uma profunda remontagem nos modelos mentais tradicionais.

No campo técnico, a rápida e incansável diminuição no ciclo de vida de processos e produtos tem colocado, cada vez mais, a aprendizagem continuada na ordem do dia. O know-how dos colaboradores e, por consequência, das organizações, sofre ataques praticamente diários que empurram a atividade “aprender” para dentro da “folhinha de produção”. Nesse cenário, a desatenção pune a organização com a perda de mercado ou com o desaparecimento e, o gerente, com o progressivo estreitamento das alternativas de recolocação.

No plano cultural, a coisa é ainda mais complexa. O dia a dia dos gestores do século XXI será muito distinto do vivido pelo “gerentão” da era industrial que, mais do que enxergar o negócio como um todo, tinha como missão central tocar rotinas que lhes eram transmitidas top-down. Isso mudou. Hoje nenhuma organização pode se dar ao luxo de abrir mão do potencial inovador de seus empregados - independente de hierarquia ou setor de atividade - e consumidores (ou cidadãos, no caso de organizações públicas). O gerente do século XXI deverá, pois, ter habilidades e atitudes que estimulem os funcionários a pensar e criar e não simplesmente a "cumprir tabela" ou "bater o ponto", esperando por ordens e, principalmente, pela sexta-feira.

Felizmente, de uns tempos para cá uma boa parte dos MBAs e demais programas de requalificação profissional, percebendo a crescente demanda por novas habilidades, vem readequando os conteúdos de sua grade curricular, ampliando a carga horária destinada aos métodos e técnicas gerenciais que estimulem a colaboração, a criatividade e o empreendedorismo, além de abrir mais espaço para atividades práticas que cubram desde a ideação até a montagem de protótipos de produtos ou processos.

Para concluir esta postagem, fica aqui uma boa dica de quais seriam as habilidades e atitudes esperadas nos gestores, em tempos de incerteza e mudanças aceleradas. A Harvard Business Review, em ótimo artigo assinado por David Garvin, mostra o que a Google tem feito para sensibilizar seus engenheiros para a importância dos temas vinculados à gestão. Desse trabalho, destaco, abaixo, os oito principais atributos dos gestores mais eficazes da empresa, obtidos a partir do cruzamento do resultado de pesquisas feitas junto aos colaboradores com indicadores de performance. Julgo seja uma boa pista.


Os Oito Principais Atributos Do Novo Gerente

1. Ser um bom “coach”.

2. Empoderar a equipe, abrindo mão do microgerenciamento de atividades.

3. Revelar interesse e preocupação com o sucesso e o bem-estar pessoal dos membros da equipe.

4. Ser produtivo e orientado para os resultados.

5. Ser um bom comunicador, sabendo escutar e dividir informações.

6. Ajudar no desenvolvimento das carreiras.

7. Ter visão clara dos problemas e formular estratégias para a equipe.

8. Ter habilidades técnicas fundamentais que o ajudem no aconselhamento da equipe.

Os 7 Pecados Capitais que Atrasam a Inovação


A maioria dos seres humanos está empenhada, desde cedo, em definir rotinas que melhor se adequem  às suas necessidades, desejos e possibilidades. Uma vez atingidas, tais rotinas, mesmo que com o passar dos tempos se revelem inadequadas,  são difíceis de descartar. Observem, por exemplo,  quantas new year's resolutions, deixamos para trás ao longo da vida. Precisamos mudar. Gostaríamos de mudar. Mas...

Em Busca da Métrica Perdida


Em época de mudanças aceleradas como a atual, é natural que as regras do jogo também se alterem com maior frequência. Este cenário causa bastante desconforto para a grande maioria das organizações, sejam elas privadas ou governamentais, acostumadas a tempos menos turbulentos, nos quais as regras “jogo” eram mais estáveis facilitando seu entendimento. 

Uma das questões centrais neste cenário “montanha russa” passa, sob nosso ponto de vista pelo correto entendimento do conceito de produtividade.

A maioria das organizações ainda decodifica essa palavra a partir dos modelos mentais da antiga sociedade industrial. No mundo privado, essa leitura tem conduzido muitas organizações a perderem “market share” e, no mundo governamental, a gerar políticas públicas e serviços que se distanciam das demandas de uma cidadania articulada em rede.

Apesar dos mares turvos e agitados, a leitura tradicional do que seja produtividade não é fácil de ser descartada. Primeiro por que os métodos e técnicas desenvolvidos por Ford, Taylor, Fayol e seus seguidores permitiu observarmos, ao longo do século XX, um espetacular incremento de 50 vezes na produtividade do trabalho manual, conforme apontado no ótimo livro de Klaus North e Stefan Gueldeberg “Effective Knowledge Work”. Segundo por que a era do conhecimento é muito novinha e ainda está construindo suas trilhas e métricas.

De qualquer maneira, conforme formos adentrando no século XXI ficará mais perceptível para as empresas e para os governos que fazer mais do mesmo, ainda que mais rápido, será uma armadilha que conduzirá, respectivamente, à perda de oportunidades e de representatividade. 

Isto por que para a nova economia, calcada na produção de bens imateriais puros (software, games, serviços on-line, etc.) ou que tenham forte carga de conhecimento embutido (satélites, veículos, televisores, etc.), a produtividade do trabalho manual conta pouco. O desafio nessa era é gerar, nas palavras de Peter Drucker, uma nova forma de gestão que permita ao trabalhador do conhecimento obter aumentos de produtividade do trabalho intelectual compatíveis com os observados pelo trabalhador manual no século XX.

Neste blog e em toda rede paulista de inovação, temos nos dedicado bastante a falar sobre esses novos métodos e técnicas gerenciais que buscam incrementar a produtividade do trabalho intelectual, apontando casos de sucesso já obtidos por empresas e governos mais antenados.

Para encerrar, uma metáfora. Se pegarmos a estrada errada, pouco adiantará termos um carro econômico.



10 Dicas para Tirar a Gestão do Conhecimento e da Inovação do Papel

Sair de ambientes hierarquizados e muito burocratizados não é fácil. Eles têm mais de 100 anos de tradição no mercado e têm o medo e a desconfiança como importantes aliados.

Tal realidade não deve, entretanto, nos deixar paralisados. Já se percebe que estes ambientes tendem a perder status conforme avancemos século XXI adentro. Aos poucos se tornarão uma espécie de controle remoto quebrado. Você aperta daqui, aperta dali, e nada acontece. Uma hora você o joga no lixo.

A substituição de ambientes organizacionais que inibam a colaboração e a criatividade por outros que estimulem a geração e a circulação de conhecimento não cairão do céu. Ao contrário, dependerão de iniciativas concretas, que só agora começam a ser melhor compreendidas, e que serão indispensáveis para transformar o discurso inovador em prática inovadora.

Para ajudar o movimento “inovação já”,  me permiti alinhavar 10 dicas indispensáveis para tirar a gestão do conhecimento e da inovação do papel. Está claro que elas não esgotam o assunto.São antes disso um convite à reflexão.

1. Seja transparente
O conhecimento tácito, o mais importante deles, ao perceber que tem mutreta no ar, volta para dentro da cabeça de seu proprietário e dificilmente dará as caras novamente.

2.  Tenha a ética como valor inegociável
A inovação valoriza a experimentação e a negociação. Jamais ultrapasse a fronteira da ética.

3.  Valorize a transdisciplinaridade
Os problemas do mundo contemporâneo não são passíveis de tratamento por uma só disciplina. A ideia de que só nós sabemos das coisas e o resto é bobagem está cada dia mais desacreditada.

4. Monte um layout inclusivo
Não adianta, no entanto, ter quadros profissionais com diversos saberes se os mantivermos fechados em suas salinhas. Problemas complexos demandam ambientes abertos que permitam juntar as peças de um quebra cabeça, que vistas isoladamente nada significam.

5. Use a tecnologia como elemento inovador
Já ficou para traz a época que computador era só para aumentar a produtividade manual. Embora ainda haja um amplo espaço para automação nestes moldes, ela deverá ficar condicionada ao aumento da produtividade intelectual. Se assim não for, corremos o sério risco de fazermos mais rápido, coisas que não interessam.

6. Use métodos e técnicas gerenciais que estimulem a inovação
A sensação de que o jeito tradicional de trabalhar está fazendo água, tem levado um número crescente de estudiosos a propor alternativas mais ajustadas a era do conhecimento. Neste blog, em particular,  e na Rede Paulista de Inovação, como um todo,  temos apontado diversas dessas iniciativas que instiguem o pensamento crítico, a visão compreensiva dos fenômenos e o trabalho em rede.

7. Estimule a criatividade
O processo de aprendizagem criado pela sociedade industrial nos levou a pensar que a criatividade era coisa para poucos. Esta visão, felizmente, está perdendo força. Criatividade se aprende, sim, basta usar métodos pedagógicos adequados. Recomendo, aos nossos leitores,  para aprofundar essa questão, que assistam ao vídeo do professor Ken Robinson.

8. Capacitação é rotina
Entenda que a capacitação, doravante, fará parte da “folha de produção” de qualquer organização, seja ela privada ou governamental. Incorpore-a todos os trabalhos que fizer. Se negligenciarmos este fato, montaremos equipes que tenderão a tratar problemas novos com remédios vencidos.

9. Evite reuniões sem propósito
Estimular a troca de experiência não significa viver em reunião.  Reuniões devem ser muito bem estruturadas com clareza de propósito, tempo de duração bem definido, que desaguem em “lições de casa” muito bem identificadas.  Lembrem-se, reuniões de equipe são muito importantes para serem avacalhadas por um blá, blá, blá, sem fim.

10. Crie prazos para transformar ideias em produtos ou serviços concretos
Inovar não significa descompromisso com prazos. Ao contrário, o mundo contemporâneo demanda por produtos e serviços concretos que possam sair da prancheta à jato. O design thinking, por exemplo, auxilia a internalização desta visão.

Para Entender o Brasil da Internet

Fonte da Ilustração: OCDE

O Comitê Gestor da Internet  no Brasil – CGI acaba de divulgar mais uma edição da pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros.

Este estudo, denominado TIC Domícílios 2012, apresenta números muito sugestivos para quem quer entender o Brasil pós internet e aproveitar essa nova realidade para oxigenar a gestão e as políticas públicas nacionais em momentos de perplexidade e inquietação como os vividos atualmente.

Como tira gosto, apresentamos abaixo, algumas cifras, todas referentes a 2012, expostas na coletiva de imprensa ocorrida dia 20 de junho de 2013.

  • 40% dos domicílios brasileiros possuem acesso a Internet. Eram 18% em 2008. 
  • O Brasil possui 80,9 milhões de usuários da Internet. 
  • Pela primeira vez na série histórica, a proporção de usuários da Internet (49%) é maior do que a de indivíduos que nunca a utilizaram (45%).
  • O número de usuários que nunca acessaram a Internet nas classes C, D e E é, no entanto, ainda muito elevado, 68 milhões de pessoas. 
  • O percentual de domicílios com acesso à Internet com velocidade de conexão acima de  2 Mbps é de 34%. Era 6% em 2008. 
  • O país tem 139,8 milhões de usuários de telefone celular. Destes, 24% utilizam este dispositivo para acessar a Internet. Eram 6% em 2008.


A apresentação, em sua íntegra, pode ser obtida aqui.

Não Haverá Cidades Ricas Sem Prefeitos Inovadores



Fonte da ilustração: http://valentimeccel.no.comunidades.net/

Como já mencionamos em outras ocasiões, o surgimento do conhecimento como fator estruturante da economia, neste início de século, tem obrigado países e organizações a repensar suas estratégias, ainda muito contaminadas por paradigmas de uma sociedade industrial que perde sua força a cada dia que passa.

O livro “Who’s Your City?”, de Richard Florida, professor e pesquisador norte-americano, 
ao que eu saiba, ainda não disponível em português, apresenta algumas cifras bem interessantes que fornecem um pouco mais de luz para os que se interessam em compreender os complexos fundamentos desta economia emergente, baseada no conhecimento.

Segundo o autor, o sucesso nos negócios na economia global dependerá crescentemente da compreensão do perfil, hábitos e preferências da chamada classe criativa, profissionais ligados aos setores de tecnologia da informação e comunicação, arquitetura, engenharia, educação, treinamento, artes, design, entretenimento, esportes, imprensa, gestão, finanças, saúde, marketing e outras atividades de alta sofisticação.

Dentre as muitas observações feitas por Richard Florida, na obra acima apontada, e em outros veículos de comunicação por ele coordenados ou frequentados, destacamos três delas para comentar neste espaço:

1. A classe criativa, neste início de século XXI, responde, nos Estados Unidos, por 31% dos postos de trabalho e 50% da massa salarial. As mesmas cifras para a indústria são de 23% e 20% respectivamente. No início do século XX, a industria era, de longe, o setor líder da economia, abrigando mais de 40% da força de trabalho contra apenas 10% dos postos ocupados pela classe criativa. (veja o mapa)


2. Mais do que os países, a economia mundial é hoje explicada por não mais do que 40 mega-regiões. Elas respondem por 17% da população, 2/3 do PIB e 85% das inovações globais. (confira o mapa de inovações)

3. Estas cifras, segundo o autor evidenciam que o mundo não é plano como sugere a obra de Thomas Friedman, e sim bicudo, pontiagudo. As pessoas, os talentos cada vez mais escolhem onde querem trabalhar, e esses locais, pelo conjunto de atributos requeridos, como qualidade de vida, facilidade de acesso, diversidade, opulência cultural, entre outros, são escassos e diferenciados em relação a outros territórios.

Será que os prefeitos empossados no início do ano estão conscientes desta mudança de paradigma? Eles podem estar sentados em inexploradas minas de ouro que devem ser garimpadas não mais com pás e picaretas, ou seja com procedimentos ultrapassados atrelados a era industrial, e sim com educação, políticas públicas inovadoras e muita ousadia. A riqueza, como aponta o livro, será construída cada vez mais por pessoas talentosas. As cidades que quiserem permanecer grandes ou as que pretendem atingir este patamar devem cativar essa turma, que produz riqueza sem degradar o meio ambiente.

Para concluir, conclamo-os a dar uma espiada no site do Richard Florida, ele dispõe de um conjunto bastante amplo de cifras, mapas e comentários sobre a revolução silenciosa provocada pela classe criativa. Convido-os também para uma lerem "10 Dicas para Prefeitos Inovadores", já publicada neste  observatório. Quem tiver interesse, mãos a obra, isto é, a cabeça a obra.

O Buraco é Mais Embaixo


Fonte: abc fm 

Muito boa a iniciativa da BandNews FM SP em contabilizar os buracos da capital de São Paulo, a partir da colaboração dos moradores da cidade. 

O mapa da situação no dia de hoje pode ser visto clicando aqui.

A análise desse gráfico conduz a algumas constatações:

1. A inteligência coletiva, que é gratuita, é muito mais eficiente do que os fiscais formalmente constituídos quando se trata de detectar problemas de zeladoria urbana.

2. Os problemas explicitados pelo mapa, e só estamos falando de buracos, são de tal volume que escancaram o descompasso entre a demanda por serviços urbanos e a capacidade do setor público em saná-los.

3. Prefeituras bem intencionadas devem considerar iniciativas como esta da BandNews como pistas para rever formas arcaícas de gestão urbana, que incentivam a corrupção e conduzem ao imobilismo e, a partir daí, modelarem formas criativas de incorporar a cidadania no trabalho de zelar pela cidade. Quem acompanha este blog vem observando que vários países já estão envolvidos nessa cruzada.

Em síntese, este problema é mais um indicador de que governos excessivamente burocratizados não mais conseguem dar respostas satisfatórias a um sociedade cada vez mais articulada em rede. Um anda de maria fumaça, a outra de trem bala.

Socorro: Liguei a TV, o Tablet Travou e a Geladeira Começou a Apitar


Fonte da Ilustração: http://www.extrapolando.com

Nos tempos da  convergência digital, torna-se cada vez mais difícil estabelecer limites entre computadores, telefones, televisores, tablets, rádios, máquinas fotográficas e mais um monte de gadgets.  Tem até geladeira nessa parada. Hoje, eu assisto TV e telefono pelo computador, ouço músicas e fotografo pelo telefone, vejo minhas apresentações na tela da TV. Além da tecnologia embarcada, equipamentos que fazem de tudo, como os que eu citei acima, trazem embutido dentro deles o enorme desafio de fazer com que todas essas funções sejam entendidas por pessoas "comuns”.

Embora haja uma crescente sensibilização entre os fornecedores sobre a importância da interoperabilidade, esta batalha está ainda muito longe de ser vencida. Cada vez que eu vejo relógios de home-theater piscando, filmes sem som, sons sem filme, micros travando, penso que a jornada, de fato, está apenas começando. Há alguns anos, só para ilustrar, ao visitar um querido amigo em uma chuvosa tarde de férias em Santos, vi toda a criançada na sala assistindo um desenho animado em inglês com legendas em japonês. Tudo isto em maravilhoso branco e preto. Que tristeza. Ninguém conseguia fazer a coisa funcionar.

Em cenários caóticos como este, sempre surgem novas oportunidades de negócio que podem ser rapidamente explorados por quem melhor fizer a leitura do ambiente. O tema da convergência e das dificuldades a ela atreladas foi, por exemplo, observado com muita presteza e criatividade por uma empresa inglesa, chamada Gadget HelpLine.

Super antenada com os problemas trazidos pela babel eletrônica que tomou conta de nossos lares já há alguns anos e que promete avançar ainda mais daqui para a frente, a companhia britânica vislumbrou neles uma boa possibilidade para ganhar dinheiro. Por 4,95 libras mensais, a Gadget Helpline promete uma convivência harmoniosa entre o consumidor e seus televisores, notebooks, impressoras, DVDs, games, gravadores, etc. De segunda à sábado, das 9:00 às 18:00, se ao ligar o computador no quarto, começar a tocar o rádio da sala, é só entrar em contato. Eles vivem de desvendar esses mistérios da tecnologia. 

No Brasil, não conheço nada deste tipo. Quem souber me dê a dica pois há uma semana quando eu ligo meu notebook, a luz da sala se apaga e a campainha da casa começa a tocar.

10 Dicas Para Prefeitos Inovadores

Fonte da ilustração: rioonwatch.org.br

Em poucos dias, prefeitas e prefeitos eleitos em outubro passado estarão assumindo seus mandatos. A princípio, sejam eles iniciantes ou reconduzidos, o cenário que os aguarda está mais para drama do que para comédia.

Isto por que, na maioria dos 5563 municípios brasileiros, independente de porte ou localização, há um imenso descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las. Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno século XXI, índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU.

Bem, a choradeira para por ai. O que gostaríamos de falar, daqui para a frente, para prefeitas e prefeitos bem intencionados e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as grandes alterações que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo novas oportunidades para os municípios, não importa onde estejam, nem o seu tamanho.

A globalização da economia, a Internet e uma série de outras novas tecnologias, cada vez mais em conta, criaram uma realidade, ainda pouco percebida pelas administrações municipais, na qual o acesso a  informação, o estímulo a criatividade e a inovação são  tão importantes como os recursos financeiros disponíveis.

Sem a pretensão de construir cenários ilusórios que, em um simples passe de mágica,  apaguem as crônicas carências municipais, esta postagem se propõe, à luz de nossa experiência em assuntos municipais e em inovação em gestão pública, a dar 10 dicas para prefeitas e prefeitos sérios que se interessem em iniciar uma longa jornada para dar às suas cidades uma nova perspectiva.

1. Não tenha medo da tecnologia

O prefeito não precisa necessariamente entender de computador e não deve ter nenhuma vergonha disto. Por outro lado, deve ter a sensibilidade de perceber que a tecnologia é hoje instrumento indispensável para levar qualquer município para frente.  Assim sendo, é fundamental, logo de cara, montar uma equipe boa que saiba mexer com essas geringonças e que atue diretamente sob o comando do prefeito. Há uma série de programas federais e estaduais que podem ajudá-los a treinar seus funcionários, a criar uma boa infra-estrutura de comunicação, a obter bons equipamentos a preços competitivos, e tudo o mais. Na era do conhecimento, uma rede de banda larga vale tanto quanto uma nova indústria ou estrada.

2. Transforme cidadãos em colaboradores

Não se assuste, você não precisa contratar ninguém para isso. Hoje, existem milhões de pessoas dispostas a colaborar, de forma gratuita, para melhorar a vida nas cidades. Na Internet há uma série de programas e serviços gratuitos que podem ajudá-lo na zeladoria da cidade. Com eles,  seus munícipes podem colaborar na fiscalização do funcionamento de hospitais, escolas, creches, conservação das ruas, etc. Existem diversas organizações sociais sérias que podem ajudá-lo na tarefa de localizar e por para funcionar esses programas. Ponha sua turma de tecnologia para ir atrás delas.

3. Não fique acomodado em sua sala

Não tente resolver tudo a partir de seu gabinete ou de dentro da prefeitura. Os computadores, por melhor que sejam, não valerão nada se não forem ocupados com projetos importantes. Para descobri-los, visite cada pedaço de seu município e imagine como você e seus munícipes gostariam de vê-lo daqui 10 anos. Participe de congressos e seminários. Converse com outros prefeitos. e lideranças importantes.  Peça a sua turma de tecnologia que crie um banco de dados com todas as entidades públicas e privadas que podem ajudá-lo não só a resolver os problemas do dia a dia como, também, a criar o município de seus sonhos. Você irá se surpreender como o número de organismos que poderão ajudá-lo.

4. Junte ideias e ponha-as para funcionar

Ideias simples postas para funcionar podem solucionar muitos dos problemas do seu município, sem que você precise gastar muito dinheiro com isso Consulte seus funcionários e a população. Colete ideias, tire-as do papel, e premie aquelas que derem certo. Hoje há muitas técnicas, bem em conta, que facilitam esse processo. A sua turma de tecnologia pode descobri-las para você.

5. Estimule a economia criativa

O que  o desenvolvimento de aplicativos para smartphones, os grupos de rock e a fabricação de bijuterias têm em comum? Todas elas fazem parte de um dinâmico segmento da economia que abriga atividades ou ocupações criativas. Este conjunto de atividades e ocupações tende a ser um dos maiores geradores de riqueza e de novas oportunidades de emprego ao longo do século XXI. Engate seu município nesse trem do futuro. Crie incentivos para atrair pessoas talentosas para sua cidade. Quanto mais facilidades você oferecer, mais talentos você atrairá e mais empregos irá gerar.

6. Melhore a prestação de serviço usando as novas tecnologias e as mídias sociais

Quase todos os serviços municipais podem ser melhorados com o auxílio das novas tecnologias (computadores, tablets, smartphones, etc) e das mídias sociais (twitter, blog, youtube, facebook, etc.). Use os serviços de sms  - os chamados torpedos - e o twitter para avisar a população sobre campanhas de vacinação, emergências em caso de enchentes, incêndios, etc., para agendar idas a hospitais, matrículas em escola. Crie unidades que concentrem diversos serviços, e que facilitem a vida dos munícipes. Use sua imaginação que a tecnologia dará suporte.

7. Ponha a administração para conversar

Os problemas municipais estão cada vez mais difíceis de serem tocados dentro de uma só secretaria, departamento ou unidade. Eles envolvem o esforço de diversas especialidades. Por exemplo, um programa habitacional não pode se esquecer da segurança, das creches, do uso do solo, do transporte e por aí vai. Para que essas ações não tragam dores de cabeça depois, pense nisso enquanto eles estão no papel. Ou seja, junte todos os envolvidos para fazer um bom projeto que não perca nenhum detalhe que possa significar atrasos ou dinheiro jogado fora. Programas de um dono só geralmente não dão certo. Trabalhar em equipe é fundamental nos dias de hoje. Comande sua turma e ponha-os para conversar e elaborar conjuntamente os projetos. Depois disso, defina os gerentes que conheçam o problema e que saibam trabalhar em equipe. Dá trabalho antes, mas evita a UTI, depois.

8. Compre bem

Comprar bem, usando a legislação adequada, constitui uma das mais importantes atribuições dos prefeitos. Uma compra cuidadosa permite não só esticar os normalmente escassos recursos colocados à disposição das prefeituras, como promove a transparência dos atos públicos. Felizmente, essa nobre missão, hoje em dia, está muito facilitada. O governo federal e administrações estaduais possuem hoje sites específicos, de ótima qualidade,  para orientar as compras públicas. O Governo de São Paulo, por exemplo,  mantem uma página na Internet, o CADTERC - Cadastro de Serviços Terceirizados, a mais importante referência nacional sobre esta questão. Nela, as prefeituras interessadas irão encontrar os preços referenciais para os principais serviços a cargo das municipalidades, estudos sobre formação de preço dos mesmos, simuladores de gastos e economia, além de links que apontam para a legislação que regula essa matéria, informações sobre pregões, manuais de editais, etc. O site e seus links são um autêntico consultor on-line trabalhando descanso para sua prefeitura sem cobrar nada por isso. Não deixe de usá-lo.

9. Transforme seu município em uma grande escola

Prover educação de boa qualidade a todos os brasileiros é provavelmente o maior desafio nacional. Somente por meio de ações sérias e continuadas nessa área, conseguiremos diminuir, de forma consistente, as desigualdades que ainda nos envergonham e entrar pela porta da frente na emergente sociedade do conhecimento. As prefeituras tem papel fundamental nesse esforço. A escola no século XXI não pode se  limitar a um determinado espaço físico para o qual as pessoas se dirigem em determinado horário. A aprendizagem, em nossos dias, precisa muito mais do que isso. A escola tradicional é apenas um dos locais destinados ao ensino. Aprender hoje é atividade continuada que abrange todo o ciclo de vida, desde o maternal até a melhor idade. Para tanto, qualquer próprio municipal, as relações de vizinhança, a casa dos munícipes, os pontos gratuitos de acesso a Internet, o celular de cada um, as empresas instaladas em sua cidade  e, obviamente, as escolas tradicionais devem formar uma grande rede de aprendizagem no ar 24 horas por dia 7 dias por semana que impulsione ações pedagógicas inovadoras  que englobem a alfabetização, a reciclagem profissional, a  preparação  para as novas ocupações que estão nascendo, entre outros desafios. Vá atrás de quem esteja interessado em revolucionar seu município. Você irá encontrar muitos sócios nessa empreitada. Também aqui, a Internet irá ajudá-lo a descobrir parceiros.

10. Crie uma marca para seu município

Lembre-se que, no Brasil, existem 5562 municípios, além do seu. Por isso, é de todo conveniente criar uma marca que o distinga dos demais e que deixe bem claro os enormes desafios que você está abraçando para prepará-lo para o século XXI. Envolva toda a municipalidade nesse esforço criativo e premie as melhores sugestões. Para conseguir patrocínios fale com o coração e explique seus sonhos. Se você acreditar neles e estiver firmemente empenhado nessa revolução não faltarão organismos que queiram ajudá-lo.


Relembramos, para acabar, que essas dicas não são saídas milagrosas que irão transformar sua vida em um mar de rosas e sua cidade em um paraíso sobre a terra. Isso, infelizmente, não existe. Mas uma coisa podemos assegurar, se você tiver vontade política de implementá-las, ao cabo de 2 anos, seu município terá mudado de patamar e começará enxergar novas oportunidades para as atuais e futuras gerações que pareciam impossíveis no dia de sua posse.

Independente de onde você estiver, consulte a rede paulista de inovação e descubra mais dicas interessantes.

Por ora, enviamos a todas prefeitas e prefeitos eleitos nossos sinceros votos de boas festas e a torcida para uma ótima gestão.