Big Data: Como Evitar Um Big Fracasso

Há mais de 40 anos, em um trabalho acadêmico, tive a oportunidade de entrevistar um empresário aqui de São Paulo. Durante a conversa, fui por ele apresentado a uma pasta contendo uma série de recortes de notícias colhidos nos mais importantes jornais e revistas da época, aos quais se somavam alguns manuscritos por ele mesmo redigidos com base no que captava nos programas de rádio e TV. Tudo classificado de A a Z.

Este é o meu mais importante banco de dados, me disse com indisfarçável orgulho.

E as informações que vem dos computadores? O senhor não as utiliza? Perguntei algo surpreso.

Facebook Compra Conhecimento e Paga R$ 45 Bilhões

Fonte da Ilustração:  The Land
A compra do WhatsApp pelo Facebook por US$ 19 bilhões, equivalente a algo como  R$ 45 bilhões, é mais um eloquente indicador do valor dos bens intangíveis em uma nova economia centrada no conhecimento. 

Uma empresa com pouco mais de 50 funcionários chega a este montante a partir de uma ideia de duas pessoas, Brian Acton e Jan Koum, posta em prática em 2009, e que se transformou rapidamente uma plataforma de comunicação instantânea para cerca de 1 bilhão de pessoas, este sim seu verdadeiro capital.

Para visualizarmos o que significa R$ 45 bilhões, basta dizer que esta cifra supera a somatória dos PIBs de Roraima, Acre, Amapá  e Tocantins, no ano de 2011. O Facebook, por sua vez, tem hoje uma valor de mercado de aproximadamente R$ 412 bilhões, mais do que o PIB de Minas Gerais, o terceiro maior do Brasil, também em 2011.

Será que nós, como nação, já nos demos conta que a geração de riqueza passa cada vez menos por bens materiais que circulam por portos e aeroportos e mais pelas fibras óticas de redes mundiais integradas? Será que percebemos que a educação é o passaporte para ingressar nessa nova economia? Será?

Tributo a Jorge Wilheim

fonte da ilustração: www.jorgewilheim.com.br

Ao longo de minha carreira profissional, tenho tido a felicidade de trabalhar com algumas pessoas muito especiais cuja convivência representa, ou representou, uma inesquecível oportunidade de aprendizagem.

Uma dessas figuras foi Jorge Wilheim, arquiteto e urbanista, falecido sexta-feira dia 14 de fevereiro, com o qual tive a honra de trabalhar diretamente por cerca de quatro anos, na EMPLASA, no início da última década do século passado.

Procurei, nesse período, como habitualmente faço com as pessoas que entendo serem referências importantes, absorver todo o conhecimento tácito que uma oportunidade dessas proporciona.

Durante nossa convivência profissional, observei no comportamento dele algumas características que marcaram bastante minha vida profissional e pessoal. Algumas delas, gostaria de compartilhar nesta postagem.

Como Preparar Boas Apresentações - Últimas Tendências




A equipe do SlideShare acaba de publicar, em seu site, um ótimo trabalho, “#Zeitgeist2013”, na qual, como sugere o nome, aborda as últimas tendências em relação a elaboração de apresentações.

Usando a sua extensa base de trabalhos como fonte, esta apresentação apresenta uma série de informações extremamente  relevantes para aqueles que, como eu, usam muito este tipo de recurso.

Abordarei aqui algumas das cifras apontadas pelo estudo, convidando os leitores interessados a examinarem com atenção todo o trabalho.

Habilidades e Atitudes do Novo Gerente


Os gerentes que, ao longo dos próximos anos, ambicionarem progressos consistentes em suas carreiras deverão dedicar particular atenção à readequação de suas competências e habilidades, recalibrando-as no sentido da chefia tradicional para a liderança de equipes, do “mandar” para o “convencer”, do “eu ganhei, nós empatamos e vocês perderam” para o “tamo juntos”, só para exemplificar.

Esta, seguramente, não será - ou não tem sido, para aqueles que já iniciaram essa caminhada - uma mudança fácil, pois envolve, além de crescentes esforços de atualização no âmbito estritamente técnico, uma profunda remontagem nos modelos mentais tradicionais.

No campo técnico, a rápida e incansável diminuição no ciclo de vida de processos e produtos tem colocado, cada vez mais, a aprendizagem continuada na ordem do dia. O know-how dos colaboradores e, por consequência, das organizações, sofre ataques praticamente diários que empurram a atividade “aprender” para dentro da “folhinha de produção”. Nesse cenário, a desatenção pune a organização com a perda de mercado ou com o desaparecimento e, o gerente, com o progressivo estreitamento das alternativas de recolocação.

No plano cultural, a coisa é ainda mais complexa. O dia a dia dos gestores do século XXI será muito distinto do vivido pelo “gerentão” da era industrial que, mais do que enxergar o negócio como um todo, tinha como missão central tocar rotinas que lhes eram transmitidas top-down. Isso mudou. Hoje nenhuma organização pode se dar ao luxo de abrir mão do potencial inovador de seus empregados - independente de hierarquia ou setor de atividade - e consumidores (ou cidadãos, no caso de organizações públicas). O gerente do século XXI deverá, pois, ter habilidades e atitudes que estimulem os funcionários a pensar e criar e não simplesmente a "cumprir tabela" ou "bater o ponto", esperando por ordens e, principalmente, pela sexta-feira.

Felizmente, de uns tempos para cá uma boa parte dos MBAs e demais programas de requalificação profissional, percebendo a crescente demanda por novas habilidades, vem readequando os conteúdos de sua grade curricular, ampliando a carga horária destinada aos métodos e técnicas gerenciais que estimulem a colaboração, a criatividade e o empreendedorismo, além de abrir mais espaço para atividades práticas que cubram desde a ideação até a montagem de protótipos de produtos ou processos.

Para concluir esta postagem, fica aqui uma boa dica de quais seriam as habilidades e atitudes esperadas nos gestores, em tempos de incerteza e mudanças aceleradas. A Harvard Business Review, em ótimo artigo assinado por David Garvin, mostra o que a Google tem feito para sensibilizar seus engenheiros para a importância dos temas vinculados à gestão. Desse trabalho, destaco, abaixo, os oito principais atributos dos gestores mais eficazes da empresa, obtidos a partir do cruzamento do resultado de pesquisas feitas junto aos colaboradores com indicadores de performance. Julgo seja uma boa pista.


Os Oito Principais Atributos Do Novo Gerente

1. Ser um bom “coach”.

2. Empoderar a equipe, abrindo mão do microgerenciamento de atividades.

3. Revelar interesse e preocupação com o sucesso e o bem-estar pessoal dos membros da equipe.

4. Ser produtivo e orientado para os resultados.

5. Ser um bom comunicador, sabendo escutar e dividir informações.

6. Ajudar no desenvolvimento das carreiras.

7. Ter visão clara dos problemas e formular estratégias para a equipe.

8. Ter habilidades técnicas fundamentais que o ajudem no aconselhamento da equipe.

Os 7 Pecados Capitais que Atrasam a Inovação


A maioria dos seres humanos está empenhada, desde cedo, em definir rotinas que melhor se adequem  às suas necessidades, desejos e possibilidades. Uma vez atingidas, tais rotinas, mesmo que com o passar dos tempos se revelem inadequadas,  são difíceis de descartar. Observem, por exemplo,  quantas new year's resolutions, deixamos para trás ao longo da vida. Precisamos mudar. Gostaríamos de mudar. Mas...

Em Busca da Métrica Perdida


Em época de mudanças aceleradas como a atual, é natural que as regras do jogo também se alterem com maior frequência. Este cenário causa bastante desconforto para a grande maioria das organizações, sejam elas privadas ou governamentais, acostumadas a tempos menos turbulentos, nos quais as regras “jogo” eram mais estáveis facilitando seu entendimento. 

Uma das questões centrais neste cenário “montanha russa” passa, sob nosso ponto de vista pelo correto entendimento do conceito de produtividade.

A maioria das organizações ainda decodifica essa palavra a partir dos modelos mentais da antiga sociedade industrial. No mundo privado, essa leitura tem conduzido muitas organizações a perderem “market share” e, no mundo governamental, a gerar políticas públicas e serviços que se distanciam das demandas de uma cidadania articulada em rede.

Apesar dos mares turvos e agitados, a leitura tradicional do que seja produtividade não é fácil de ser descartada. Primeiro por que os métodos e técnicas desenvolvidos por Ford, Taylor, Fayol e seus seguidores permitiu observarmos, ao longo do século XX, um espetacular incremento de 50 vezes na produtividade do trabalho manual, conforme apontado no ótimo livro de Klaus North e Stefan Gueldeberg “Effective Knowledge Work”. Segundo por que a era do conhecimento é muito novinha e ainda está construindo suas trilhas e métricas.

De qualquer maneira, conforme formos adentrando no século XXI ficará mais perceptível para as empresas e para os governos que fazer mais do mesmo, ainda que mais rápido, será uma armadilha que conduzirá, respectivamente, à perda de oportunidades e de representatividade. 

Isto por que para a nova economia, calcada na produção de bens imateriais puros (software, games, serviços on-line, etc.) ou que tenham forte carga de conhecimento embutido (satélites, veículos, televisores, etc.), a produtividade do trabalho manual conta pouco. O desafio nessa era é gerar, nas palavras de Peter Drucker, uma nova forma de gestão que permita ao trabalhador do conhecimento obter aumentos de produtividade do trabalho intelectual compatíveis com os observados pelo trabalhador manual no século XX.

Neste blog e em toda rede paulista de inovação, temos nos dedicado bastante a falar sobre esses novos métodos e técnicas gerenciais que buscam incrementar a produtividade do trabalho intelectual, apontando casos de sucesso já obtidos por empresas e governos mais antenados.

Para encerrar, uma metáfora. Se pegarmos a estrada errada, pouco adiantará termos um carro econômico.